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Travessia Psicologia Carla Silva · CRP 06/210526

Álcool e outras substâncias

Dependência química

Acompanhamento em recuperação, prevenção de recaída e o que fazer depois de uma. Pós-graduação em Saúde Mental com ênfase em Dependência Química.

Quase todo mundo que chega aqui por esse assunto já ouviu que é só parar, que é falta de força de vontade, ou que está destruindo a família. Nada disso é tratamento. É moral, e moral não muda comportamento de uso.

Dependência química é um quadro clínico, com curso, gatilho e mecanismo. Eu trato como quadro clínico. Você pode falar aqui sobre uso sem que a conversa vire sermão.

Como eu trabalho

Terapia Cognitivo-Comportamental aplicada a dependência, que é hoje uma das abordagens com mais respaldo pra esse quadro. Na prática, a gente mapeia gatilhos, entende a função que a substância cumpre na sua vida e constrói estratégia pra situações de risco antes que elas aconteçam.

Objetivo se define com você, não por mim. Tem gente que chega querendo parar. Tem gente que chega querendo reduzir. Tem gente que chega sem saber o que quer e só sabe que está ruim. Os três pontos de partida são válidos.

Sobre recaída

Recaída faz parte do curso do quadro em muitos casos, e não apaga o que você construiu até ali. Se acontecer, isso vira material de trabalho na sessão seguinte. Você não vai precisar sumir por vergonha, que é justamente o que costuma transformar um episódio em uma volta ao padrão antigo.

Como a dependência química se instala

Ninguém começa a usar querendo depender. O uso começa cumprindo uma função: dormir, desligar, aguentar, socializar, sentir alguma coisa. Funciona - e é exatamente por funcionar que se repete.

Com a repetição, o cérebro passa a antecipar a substância e a se reorganizar em torno dela. Precisa de mais pra obter o mesmo efeito, e começa a cobrar quando ela falta. Aí o uso deixa de ser escolha em um sentido simples da palavra, e passa a ser mantido também pela fuga do desconforto de não usar.

Entender esse mecanismo importa por um motivo prático: enquanto a explicação for "falta de caráter", a única estratégia disponível é se esforçar mais. E se esforçar mais já foi tentado.

Álcool

É a substância que mais demora a ser levada a sério, porque está em todo lugar e o consumo é socialmente esperado. A pergunta útil não é quanto você bebe, é o que acontece quando você tenta não beber.

Sinais que costumam aparecer antes de qualquer diagnóstico: precisar de mais pra sentir o mesmo, beber sozinho ou escondido, esquecer trechos da noite, brigar em casa por causa disso, prometer parar e não conseguir sustentar.

Cocaína e estimulantes

Aqui o padrão costuma ser diferente: o uso se concentra em episódios, e o intervalo entre eles engana. A pessoa passa semanas bem, conclui que controla, e o episódio seguinte vem mais intenso. A fissura também se comporta de outro jeito, com picos curtos e muito fortes, ligados a gatilho de contexto: lugar, horário, companhia, dinheiro no bolso.

O trabalho envolve mapear esses gatilhos com precisão e construir resposta pra eles antes do próximo episódio, e não durante.

Prevenção de recaída

Prevenção de recaída é um método, não uma promessa. A gente identifica as situações de risco reais da sua vida, treina resposta pra elas, monta um plano pro momento de fissura e um plano pro caso de escorregar.

Grande parte das recaídas começa bem antes do primeiro gole ou da primeira dose, numa sequência de decisões aparentemente inofensivas: mudar o caminho de casa, aceitar um convite específico, guardar um contato. Aprender a enxergar essa cadeia é boa parte do trabalho.

Recaída: o que fazer

Voltar. É a resposta curta e é a que importa. O que transforma um episódio isolado em retorno ao padrão antigo quase nunca é o episódio: é a vergonha depois dele, que faz a pessoa sumir da terapia justo na semana em que mais precisava aparecer.

Se acontecer com você, me conta na sessão seguinte. A gente vai olhar onde a estratégia falhou e ajustar o plano. Não vai ter cobrança moral aqui.

Abstinência

Parar de usar tem efeito físico e psicológico, e isso varia muito conforme a substância, o tempo de uso e a quantidade. Em alguns casos - álcool em uso pesado e prolongado, por exemplo - a interrupção brusca é risco médico de verdade, e precisa de acompanhamento clínico, não só de força de vontade.

Por isso eu pergunto sobre isso logo no começo. Se o seu caso pedir avaliação médica antes de qualquer plano de redução, eu digo na primeira conversa.

TDAH e dependência química

TDAH não tratado aumenta o risco de uso problemático, e a razão costuma ser bem concreta: a substância resolve, no curto prazo, algo que estava insuportável - a cabeça que não desliga, o tédio, a dificuldade de começar uma tarefa.

Tratar só o uso e deixar o TDAH de lado costuma explicar por que a abstinência não se sustenta. Eu avalio e acompanho os dois, e essa é uma das razões de eu ter as duas formações. Ver a página de avaliação de TDAH.

Trauma e uso de substâncias

Uma parte grande de quem chega aqui por uso tem história de violência, abuso ou perda não elaborada atrás disso. A substância entrou como anestesia, e funcionou como anestesia.

Nesses casos, tirar a anestesia sem tratar o que ela cobria não costuma dar certo. O trabalho precisa dar conta das duas coisas, no tempo que der pra sustentar - e isso a gente combina, não eu decido sozinha.

Quando procurar ajuda

Não existe um limite objetivo de doses a partir do qual vira problema. Os indicadores úteis são outros: você já tentou reduzir por conta própria e não sustentou; o uso está custando trabalho, dinheiro, saúde ou relações; você esconde o quanto usa; ou você está lendo isso porque alguma coisa aí te reconheceu.

Qualquer um desses já é motivo suficiente pra uma conversa. Você não precisa ter chegado ao fundo do poço pra pedir ajuda, e a ideia de que precisa custa anos de vida das pessoas.

Para a família: como ajudar, e codependência

Quem convive com um dependente químico costuma oscilar entre duas coisas que não funcionam: controlar tudo e ameaçar romper. Ambas vêm de exaustão real, e nenhuma muda o comportamento de uso.

Codependência é quando a vida inteira de quem está em volta passa a girar em torno do uso do outro: monitorar, cobrir, mentir por ele, adiar a própria vida. Isso adoece quem cuida, e frequentemente sustenta o quadro em vez de interromper.

Se você é a pessoa da família e chegou aqui procurando como ajudar: dá pra começar por você, mesmo que quem usa ainda não queira tratamento. Você pode me procurar sozinho.

Quando o caso pede mais

Alguns quadros exigem acompanhamento médico, desintoxicação assistida ou estrutura que um consultório não oferece. Nesses casos eu digo com clareza e oriento o caminho, em vez de segurar um atendimento que não dá conta.

Carla Silva em atendimento online, no consultório

Para quem

Costuma procurar quem:

  • Bebe ou usa mais do que gostaria e já tentou reduzir sozinho
  • Parou e quer sustentar isso com apoio técnico
  • Teve uma recaída e não sabe como voltar
  • Está saindo de internação e precisa de acompanhamento
  • Quer entender o que dispara o uso antes de tentar parar de novo
  • Não quer falar disso num grupo e prefere atendimento individual
  • É da família de quem usa e está adoecendo junto
  • Tem TDAH e desconfia que o uso começou como automedicação

Perguntas comuns

O que costumam me perguntar sobre isso

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